«Uma vida sem amor não vale a pena

O Amor é a água da vida

Bebe-a de corpo e alma», Rumi

O ser humano é um organismo vivo que conta com uma comunidade de cerca de 50 biliões de células. Todas estas partes microscópicas de nós vivem harmoniosamente e em cooperação para sustentar a vida tal como a conhecemos. Como tal, os seres humanos são concebidos biologicamente para estabelecer relações uns com os outros, não fomos feitos para viver sozinhos.

«É inconcebível uma forma de vida que exista sozinha e independente, sem estar ligada a outras formas», Lewis Thomas

Tal não se deve única e exclusivamente à necessidade de sobrevivência individual, através do alimento e do sexo, mas também a uma enorme e quase inexplicável necessidade de lutar pela vida, de ser feliz. Evidentemente, a necessidade de o ser humano se reproduzir é inegável, daí serem tão prazerosas as relações sexuais; no entanto, não estabelecemos relações apenas para ter sexo e filhos, mas porque procuramos amor, atenção e companheirismo.

Como encontrar um amor para sempre?

Muitos de nós procuramos a relação perfeita, o tão esperado ‘Felizes para Sempre’. Será isso possível? O que precisamos para conseguir um amor para toda a vida?

  • Boas vibrações

Muitos autores defendem que um casal feliz precisa de ter boas vibrações. Segundo a física quântica, tudo é energia e cada energia tem uma vibração própria. Assim, quando a nossa energia se entrelaça com a do nosso companheiro(a), juntas, em interação, devem formar uma energia maior e não uma energia destrutiva.

Como ser evoluídos que somos, além de conseguirmos identificar boas e más energias, também possuímos a capacidade de criar boas e más energias a partir dos nossos pensamentos. Essas energias influenciam o comportamento das nossas células, a nossa expressão genética, o nosso humor e também o nosso comportamento. A Lei da Atenção concentrada da Psicologia defende que quando concentramos o nosso pensamento numa ideia esta tende a realizar-se. A Lei da Repulsão, menos falada mas, pessoalmente, considero mais relevante, explica que atraímos para a nossa vida aquilo que tentamos afastar de nós. Devemos, por isso, ter a certeza de que os pensamentos que transmitimos refletem exatamente aquilo que queremos para a nossa vida. Por exemplo, se formos, constantemente, dominados por emoções como a revolta e raiva de relacionamentos anteriores, vamos atrair para nós o mesmo tipo de relacionamentos destrutivos do passado. Como deixar de pensar negativo se é só essa realidade que conhece? Às vezes, é preciso fingir um pouco, fantasiar, sonhar acordado, concentrando-se no amor e, assim, pode atrair para si a relação que tanto tem procurado. Agora, se continuar mergulhado nos pensamentos e experiências negativas do passado, esse amor nunca irá bater-lhe à porta. Temos a liberdade de criar aquilo que desejamos.

  • Um casal, quatro mentes em interação

Quando nos apaixonamos, a nossa mente entrelaça-se na mente consciente do nosso companheiro(a) e a felicidade domina. No início, tudo é bonito e corre bem mas, com o passar do tempo, a nossa mente consciente vai ficando assoberbada com as tarefas do dia a dia, a falta de tempo para a casa, os filhos e vivemos numa roda-viva diária e aqui, como a mente consciente deixa de ter tempo para o cultivo do amor, entrega essa tarefa à mente profunda, o subconsciente. Ora bem, é aqui que entram os comportamentos enraizados e armazenados no nosso subconsciente, com base nas nossas experiências de vida. Em pouco tempo, existem quatro mentes a agir e é quando podem surgir os primeiros sinais de alerta, podendo terminar com o ‘Felizes para Sempre’. Quando o consciente delega o presente ao subconsciente, tudo o que dizemos e fazemos são automatismos gravados na nossa mente profunda e que recebemos dos outros no passado.

Parece quase inacreditável, mas nas 24 horas do dia, a atividade cognitiva da nossa mente é controlada 95% por programas automáticos descarregados no subconsciente e apenas 5% da atividade cognitiva é de responsabilidade consciente (Marianne Szegedy-Maszak Mysteries of the Mind).

O subconsciente, que representa cerca de 90% da nossa mente, influencia também muito mais o nosso comportamento que o consciente. Estima-se que o córtex pré-frontal da nossa mente consciente processe apenas 40 impulsos nervosos por segundo em comparação com a mente subconsciente que processa 40 milhões de impulsos nervosos por segundo. O processador subconsciente é 1 milhão de vezes mais poderoso que o consciente. Desta forma, o leitor pode estar agora a pensar: se o nosso subconsciente é responsável por 95% do nosso comportamento, como posso ter o que desejo de forma consciente? E de onde vêm aqueles programas negativos que são descarregados no nosso subconsciente?

Programas concebidos durante a vida no útero materno

Já há muito tempo que ter uma gravidez saudável não passa apenas por ter uma alimentação saudável e fazer exercício físico. O desenvolvimento do sistema nervoso do feto é já tão evoluído que, desde a conceção até ao nascimento, a mente do feto é capaz de perceber tudo o que se passa no exterior (David Chamberlain, A mente do seu recém-nascido).

Durante a gravidez, o sangue da mãe, que passa para o feto pela placenta e cordão umbilical, leva muita ‘informação’ em hormonas que dão a conhecer ao feto a saúde física e o estado emocional da mãe. Assim, o feto em desenvolvimento no útero materno, através destes químicos, experimenta as mesmas emoções que a mãe, sejam elas positivas, como a alegria e o prazer ou negativas, como o medo e insegurança. Por exemplo, uma mãe que tem uma gravidez marcada pela ansiedade transmite ao feto elevados níveis de cortisol que lhe causam stress. Por outro lado, numa mãe que vive uma gravidez apaixonada pelo seu companheiro, o feto experimenta químicos do prazer e bem-estar, como a dopamina. Muito importante é também desejar o ser humano que cresce na barriga da mãe durante 9 meses, porque quando o feto é rejeitado pelos progenitores, ele recebe químicos que o fazem sentir essa rejeição. A base da personalidade de uma criança começa muito antes do nascimento, tem início na sua conceção.

Programas concebidos após o nascimento

Desde o nascimento até cerca dos 6 anos de idade, o cérebro de uma criança funciona de forma mais lenta (ondas cerebrais teta 0.5 – 8 Hz), associado a um estado de imaginação, daí as crianças, muitas vezes, terem amigos imaginários, olharem para as nuvens e identificarem formas de animais e outros símbolos. Este estado acontece nos adultos quando experimentam estados alterados de consciência – a hipnose.

Neste estado, a mente da criança fica mais suscetível e é facilmente sugestionável. Absorvem e gravam informação para a sua sobrevivência, mas não têm a capacidade de selecionar e avaliar essas informações; muitas delas representam imprints que condicionam a criança e a sua vida adulta futura. Quantos de nós ouvimos, em crianças, críticas das nossas figuras de vinculação/pais, do género: «Tu não vales nada», «Tu nunca vais conseguir», «Tu não mereces», «Não és muito inteligente». Muitas vezes, estas palavras não são ditas porque a criança não é amada, mas porque os pais erradamente usam predominantemente a crítica para incentivá-los a esforçarem-se mais. Estas críticas são gravadas na mente profunda e descarregadas no subconsciente, gerando comportamentos incapacitantes no futuro. As críticas que têm como objetivo melhorar o desempenho dos filhos, no fundo, condenam-nos a sentirem-se incapazes, frustrados e indignos, com pensamentos ruminantes de «Não sou bom o suficiente», «Não sou capaz», «Não mereço ser amado». Os programas subconscientes que operam 95% do tempo dão origem a comportamentos que revelam essa incapacidade. Além das palavras que ficam gravadas na mente profunda, os comportamentos dos pais também são modelados pelos filhos e tudo isto influencia o comportamento do ser humano no dia a dia e também na vida amorosa.

Com base nestas informações, o ser humano pode atrair relacionamentos destrutivos de forma inconsciente, procurando o amor nos sítios errados ou pode ser abençoado com relacionamentos equilibrados e que podem durar para sempre.

A boa notícia é que podemos reprogramar o subconsciente através de técnicas, como a hipnose e reprogramação mental, modificando, desta forma, os comportamentos automáticos destrutivos.

 

Por Cátia Costa

Hipnoterapeuta

Clínica Dr. Alberto Lopes

geral@hipnoseeregressao.com / 225 028 162 

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo artigo Cátia Costa,
    Relacionamento a dois pode ser sim um grande investimento afetivo para a nossa felicidade também.
    Espero que continue a publicar artigos deste gênero.
    Smile!
    Marisa Oliveira(Marbrisa)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

thirteen + 4 =