Às vezes, muitas vezes, é preciso saber parar de ouvir o ruído que vem de fora. É preciso saber dizer não ao que não lhe acrescenta e você sabe disso. Você sente isso. Porque se as coisas pudessem ser diferentes, escolheria não mudar o momento. Cai no erro de derramar sobre o que já lá vai. Porque não era nada daquilo que era suposto. Lamenta por, mais uma vez, não ter sido capaz de comandar a situação. Lamenta por ter mostrado o que não era, porque não era assim. Culpabiliza-se por se ter inundado na imensidão da inconsciência que rodeia os dias e na qual se afogou. São momentos em que o passado se apodera e trazem ao de cima a impotência de não se conseguir mudar. A tristeza de não ter sido forte. A frustração de agora não poder mudar nada. Mas, nós sabemos e todo o mundo sabe que sempre que age, em qualquer momento, em qualquer situação, sempre se escolhe aquilo que se acha ser o melhor. Sempre que, no passado fizemos escolhas, elas foram as que naquele momento, dentro daquilo que tínhamos consciência, a melhor opção. Ninguém erra, porque quer. Aliás, todas as pessoas fogem do erro, da ideia de errar o que, por vezes, impele à inação.

O passado é feito do nosso melhor em cada momento. É feito do melhor que um dia soubemos ser. Mas, hoje, o tempo passou e nós crescemos. Então, é óbvio que esta pessoa que está aqui, agora, a ver o plano todo do passado, se esquece disso. Esquece-se que, no passado, o plano não estava tão visível. Então, para quê nos inundarmos num passado que não vale nada, porque já não existe, já não se pode mudar e a pessoa que o criou já não é a mesma? Além desse tempo, onde nada muda, onde as pessoas se paralisam, há toda uma vida que se lhe apresenta a cada manhã que acorda. Nesse tempo, a vida pode ser desenhada com os detalhes e a minúcia que desejarmos.

Só o amor-próprio cura. Com ele, não há espaço para se falar em culpa. Porque ele, o amor-próprio, não se permite criticar por ter feito aquilo que achava melhor nalgum momento. E sem culpa, com amor, o perdão não faz sentido, porque não há nada a perdoar. A aceitação rege os dias. Rege a vida. Rege o nosso coração. E, em aceitação, a vida, como diz Osho, «é um rio, onde fluímos e nos deixamos ir». E isso é a vida na sua perfeita natureza. Deixar-nos ir.

 

Por Helena Silva

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