Na maioria dos casos, é já na vida adulta que as pessoas desejam experimentar e que começam mesmo a praticar meditação. Procuram autoconhecimento, alívio para o stress, mais saúde e felicidade. Os benefícios têm sido amplamente reconhecidos pela experiência e por inúmeros estudos científicos.

E na infância? Será a meditação útil? É uma boa opção praticar desde cedo?

Os benefícios e vantagens são muitos. É na infância que começam a ser construídos os padrões psicológicos e emocionais, que nos acompanham pela vida afora. E a meditação pode ser um excelente auxiliar para criar hábitos e comportamentos mais saudáveis e equilibrados, dos quais a criança começa logo a usufruir e que depois a acompanham na vida adulta, potenciando o seu bem-estar e felicidade. Também na infância a aprendizagem da meditação se torna mais fácil. Os adultos utilizam muito mais o pensamento lógico e racional e como em criança este ainda não está tão desenvolvido, o processo de aprendizagem torna-se mais fluido e natural. Toda a racionalidade e todas as expetativas com os resultados que tanto dificultam a prática da meditação nos adultos não constituem obstáculos para as crianças, que se entregam à experiência espontaneamente. E, por este motivo, elas podem obter resultados mais surpreendentes do que os adultos. Quando aprendem a utilizar este tipo de instrumento, as crianças têm facilidade em regressar ao equilíbrio de uma forma natural e rápida.

Meditação para crianças

A prática da meditação para crianças não é desenvolvida como a prática para adultos. É especialmente concebida de forma adaptada à idade e ao ritmo das crianças, mas com toda a essência e benefícios da meditação para adultos, porque a maneira como a criança vê e interpreta o mundo é muito diferente do adulto, assim como a forma como vive as suas experiências e como processa toda a informação que recebe é também muito diferente. A meditação não é um processo de aquisição de conhecimentos, porque é algo que já sabemos fazer de forma inata, é tão natural como respirar. Mas, o modo de vida em que vivemos, atualmente, com um número crescente de estímulos exteriores, é que nos afasta cada vez mais do nosso interior e vivemos como se fôssemos desconhecidos de nós próprios. Assim, o ensino da meditação é um processo que passa por orientar, estimular, apoiar e incentivar o desenvolvimento e a utilização de recursos que naturalmente já possuímos. Frequentemente, existe a ideia de que a meditação é uma atividade passiva e entediante, mas apesar da aparente inatividade, quando meditamos, existe uma riqueza de movimento interno que nos desperta por dentro. E as crianças não são exceção. Elas ficam mais despertas e mais interessadas a tudo o que as rodeia. Aprendem a utilizar os 5 sentidos, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato de forma mais atenta e profunda, o que lhes permite enriquecer muito mais as suas experiências e o seu sentido de presença. Têm vivências muito mais tranquilas e calmas, sem sentir necessidade de recorrer a experiências radicais ou a estímulos fortes para se sentirem vivas e motivadas. Ficam também mais tranquilas, tornam-se mais concentradas e têm maior capacidade para terminar tarefas e, consequentemente, o rendimento escolar tende a elevar-se.

Promover a autoestima e a autoconfiança

A meditação tem também um grande impacto a nível da Inteligência Emocional e é um forte apoio para construir alicerces sólidos a nível da autoestima, da autoconfiança e da resiliência emocional, que vão perdurar para a vida. As crianças começam a tomar consciência das suas emoções e aprendem a utilizar a sua capacidade de autorregulação e com isto melhoram as suas atitudes e comportamentos no ambiente familiar e no ambiente escolar. Melhoram a comunicação e o relacionamento com os adultos, com as outras crianças e até consigo próprias, à medida que ganham consciência e maturidade emocional para lidar com as experiências da vida. Todos estes novos recursos que adquirem com a prática da meditação ampliam a sua capacidade de resposta face aos desafios da vida com que se vão deparando. Sabemos, hoje, que a felicidade e o bem-estar são competências pessoais que podem ser aprendidas. A meditação é um dos melhores recursos para esta aprendizagem, pela sua simplicidade e pelos resultados que permite alcançar. A criança aprende a observar e a reconhecer os seus pensamentos e as suas emoções e deixa de ficar bloqueada por eles. Consegue ter um momento de escolha em que deixa de reagir por impulso e faz uma escolha consciente da sua ação, conquista resiliência emocional. Face aos principais problemas com que as crianças se deparam, como os desafios escolares, os problemas de relacionamento com os colegas e a ansiedade perante os problemas e preocupações dos adultos que as rodeiam, tornam-se capazes de transformá-los em experiências mais positivas, perante as quais, em vez de terem sentimentos de frustração, impotência ou revolta, passam a responder com maior maturidade emocional, de forma mais tranquila, cooperante, compassiva e objetivaAo começar a meditar em criança, estamos a criar uma adolescência e uma vida adulta com competências que vão permitir viver de uma forma mais positiva, motivada e entusiasmada. Assim como ter uma maior capacidade para assumir compromisso, autonomia e responsabilidade perante a própria vida.

 

Por Susana Rocha

Professora de Mindfulness e Educação Emocional para Crianças e Adolescentes

Coach

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