Sinto vontade de me reconstruir e reinventar com mais intensidade ainda. Sei que mais não tenho feito que viver a encontrar e juntar pedaços de mim e da minha história, das mais variadas formas e este é um caminho que parece não ter fim. E eu não quero que tenha. E quando as certezas surgem, e tudo parece ficar mais sereno, despoleta-se um rol de dúvidas, questionamentos, suposições… Nada é certo. Tudo é mutável. Não há limites. Não há ponto sem nó. E o nó é um dos meus objetivos próximos. E tantos outros. Quero tantos outros. Tenho tantos sonhos e tão pouco definidos. AINDA. A clareza do caminho, das pedras que vou saltar no lago, não existiu até agora. Mas, eu sei que vou criá-la e alimentá-la até que consiga chegar onde quero. E eu sou do tamanho do que posso criar. Do que a minha imaginação fecunda como o útero de uma mulher fértil. E posso nutrir, cuidar, amar… cada um dos sonhos que nasçam de mim e do meu casamento comigo e com a fidelidade ao meu propósito. E este é grande, é inteiro, é forte. E, por vezes, são os medos que me travam. As dúvidas. E, mais uma vez, as suposições. E eu sigo, nem sempre confiante de chegar e poder cortar a linha da meta.

«Jamais existem problemas, apenas desafios»

Mas, e se eu for perguntar à minha criança interior? O que me dirá ela? Se eu lhe perguntar onde se vê daqui a um determinado período de tempo sei que ela, na sua inocência e espontaneidade, responderá com a certeza de quem não teme, porque não há nada mais que a força e a coragem para testar forças, limites e transpor fronteiras. Porque, para a criança interior, jamais existem problemas, apenas desafios. E são esses que lhe dão a vontade de nem querer dormir, para experimentar mais e viver no limite, tudo quanto possa ser real. E o que é real para uma criança? TUDO? Impossíveis? Na verdade, não existem. E a minha criança diz-me que a vida não se esgota, que a energia se renova, e que todos os dias posso brincar ao faz de conta a sério, de ir onde me leva o coração. E também me diz que posso criar labirintos mais claros, menos emaranhados e com mais nitidez. Se assim o fizer, vou estar focada no percurso e no resultado com uma força capaz de me fazer resistir às intempéries, mesmo nos dias em que não tenha calçadas as minhas botas de borracha para saltar as pocinhas no pátio depois de chuvas fortes. Se essa força e intensidade fizerem parte da minha experiência, certamente serei como os heróis das histórias que têm poderes. Se perguntar à minha criança interior qual o seu poder, ela dirá que é o de renascimento. O da mais pura e profunda transformação. O da morte, do desapego, de buscar uma nova forma, um novo corpo, uma nova história. E sempre foi assim.

Olhando para trás, vejo a braveza de quem nunca temeu o julgamento de adultos inconscientes acerca dos efeitos nefastos que reproduziam nas crianças inocentes e sábias no seu âmago, do seu jeito. Vejo uma adolescente rebelde que conseguiu questionar os valores dominantes e pôr-se à prova, vezes sem conta. Vejo uma adulta que não perde uma oportunidade de agradecer, de pedir desculpa e de voltar atrás, se assim lhe fizer sentido. Olho para mim, com os olhos da minha criança interior, e mais não vejo que a certeza de que tudo quanto podemos viver é terra fértil para que possamos semear. Basta que possamos querer. E querer muito. Mas, eu quero fazer a diferença. Eu vou fazer a diferença.

 

Por Andreia Dias

Coach

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