O vestuário está cada vez mais barato e acessível à maior parte dos bolsos, o que faz com que mais facilmente se substitua uma peça por outra mais atual e ‘na moda’. O resultado deste comportamento é a acumulação imensurável de roupas ‘descartáveis’, cuja maioria terá como destino depósitos de lixo ou países em vias de desenvolvimento. Face a esta realidade, é impreterível tomar uma série de medidas com o objetivo de minimizar os efeitos negativos da acumulação de roupa em final de vida. Conheça algumas dessas medidas que já estão a ser abordadas na indústria da moda:

Sistemas de coleta

Em diversos países da Europa, existem cestos de coleta nos quais as pessoas podem depositar a roupa que já não vestem. As peças de roupa seguem para depósitos nos quais são selecionadas, classificadas e reparadas, em função do estado em que se encontram, seguindo depois um dos seguintes destinos possíveis:

  • Venda no retalho, em lojas de segunda mão;
  • Exportação e venda a países do Terceiro Mundo;
  • Venda a empresas de reciclagem têxtil;
  • Incineradoras (se não tiverem qualidade para serem reaproveitadas).

Em Portugal já é visível uma crescente sensibilização a este tema, existindo diversas empresas espalhadas pelo país que recolhem e reciclam roupa usada.

Sistemas de devolução de peças

São cada vez mais as marcas e retalhistas que demonstram interesse em gerir resíduos, através de programas de devolução de peças de roupa usadas com incentivos sob a forma de descontos ao adquirir novas peças. Nestas ações de recolha, todas as peças recolhidas são enviadas a empresas que gerem resíduos. As peças de roupa são depois classificadas de acordo com centenas de parâmetros previamente definidos, de forma a garantir que todas as peças terão uma nova vida. Essas peças de roupa poderão ter um de três destinos possíveis:

  • Reutilizadas;
  • Uso industrial;
  • Recicladas e transformadas em novas matérias-primas para fabricar roupa nova.

O objetivo final é alcançado: este sistema não gera resíduos, pois tudo é aproveitado.

Sistemas de reciclagem

No contexto da indústria da moda, o termo ‘reciclagem’ não se aplica à roupa em si, mas sim aos tecidos. As empresas de reciclagem usam essencialmente dois sistemas para reciclar os tecidos:

  • Químico: é um sistema ainda pouco desenvolvido, consistindo na regeneração química das fibras sintéticas (não se aplica a fibras naturais) a partir de processos de dissolução das fibras têxteis, cujo resultado são fibras que podem substituir as fibras virgens.
  • Mecânico: é o sistema de reciclagem mais utilizado, consistindo em recuperar as fibras têxteis após a manipulação mecânica. Este sistema é mais simples que o químico e requer menos energia e produtos químicos, sendo o impacto ambiental bem menor. No entanto, a grande limitação deste sistema é não permitir fiar fios finos, como é o caso das microfibras.

Upcycling

O upcycling é um termo relativamente recente, que diz respeito à criação de materiais mais valiosos que os originais, através do processo de reciclagem. Através do upcycling, as peças de roupa ganham qualidade, podendo inclusivamente ter origem em diferentes materiais, além de roupa como, por exemplo, malas feitas a partir de pneus de borracha reciclados, t-shirts produzidas a partir de fibras de poliéster precedentes de radiografias recicladas ou, até mesmo, camisas fabricadas a partir de garrafas de plástico.

 

Qual será o futuro da reciclagem na indústria têxtil? Será que vamos ter, em breve, novos sistemas ainda mais rentáveis e com menor impacto no meio ambiente? Veremos as respostas que o futuro nos trará!

 

Por Alexandra Lopes

Consultora de Imagem

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