Há muito que me dedicava a apreciar a beleza de tudo quanto é simples. De admirar as maravilhas da Natureza e esperar sentir a sua leveza tocar-me no rosto enquanto me regozijava um sentimento imenso de amor no coração. Há tempos que sinto mais intensa e amorosamente, a razão da minha existência e o caminho que tenho para fazer, no sentido da plenitude e da paz. A serenidade do sentir e do querer. Sem frustrações, culpabilizações ou questionamentos infundados de respostas que encontrarei somente dentro de mim. A sensibilidade e a capacidade de aceitar e agradecer, diariamente, todas as bênçãos, fazem de mim tão mais feliz. Entenda-se a felicidade não como algo que deva necessariamente estar ligado a questões materiais, físicas ou, quanto muito, palpáveis. Esse ‘estado de graça’ deve, antes, ser definido como um estado da alma, da beatitude e amor de que somos feitos. E é neste estado que me encontro, por mil e um motivos maravilhosos.

Atingir a plenitude

Em primeiro lugar, somos feitos de amor. E eu sou muito grata por tê-lo percebido desde muito cedo. Reconheço que a vida só possui significância se for baseada nesse mesmo amor. O amor pelos outros, pela Natureza, pelos nossos especiais e, sobretudo, por nós próprios. Mais importante do que qualquer outro sentimento, será este que, sendo romântico, fraterno ou universal, nos lembrará, sempre, da nossa essência. A graça de poder encontrar este caminho de luz é, indubitavelmente, incrível.

Em segundo lugar, os pequenos nadas podem tornar-se grandes tudos. E refiro-me à brisa que toca as folhas das árvores que personificam a sonoridade do paraíso de paz. Ao chilrear dos pássaros que pela fresca manhã nos mimam com melodias leves. Ao intenso cheiro a maresia (de que, por sinal, não sou grande apreciadora) e ao espelho de Sol nas águas revoltas ou mais serenas do mar.

Em terceiro lugar, as felizes ‘coincidências’ (que também não acredito que existam), que nos batem no ombro ou no coração, e lembram que, o que tem de ser nosso, até nós virá (estejamos nós disponíveis para receber). A música que toca na rádio no momento em que mudamos de estação, cuja letra responde ou reforça os nossos questionamentos. A pessoa em que pensamos e que nos liga na hora em que nos lembramos dela. Os livros que escolhemos ler e que nos serenam a mente e o coração, tal é a subtileza do seu conteúdo.

Em quarto… até ao centésimo lugar, todas as coisas, sentimentos, emoções, pessoas e pensamentos que nos tocam e nos elevam os níveis de bem-estar e bem-querer.

E hoje, mais do que nunca, amo amar. Gosto de gostar. Gosto de sentir. Gosto de mim e dos meus. Dos nadas e dos tudos. Gosto dos copos meio vazios e dos copos meio cheios. Amo as questões e as dúvidas constantes das verdades que quero encontrar. As respostas que, além de tudo, preciso descobrir para prosseguir com a clara certeza de que a genuinidade é em mim uma constante.

Gosto dos momentos em que estou comigo, numa bonita melodia de silêncio e busca incessante. Das horas em que me emaranho nos livros que, por vezes, parecem escritos sobre mim. (Chego a pensar que autores me escutam, me seguem ou me procuram, tais são as semelhanças comigo e com a vida que tenho escolhido viver). Adoro as horas em que pareço fazer nada e, por sinal, faço tudo. Amo estar no meu porto seguro e no limbo tantas quantas vezes possa suportar. Gosto de me testar, a mim e aos meus limites. De sentir tudo de forma tão intensa que possa, passados os momentos, as vivências ou as histórias, lembrar as sensações, os sentimentos e as memórias, de forma fiel. Gosto de mostrar que gosto. Das pessoas, das coisas, das situações. Gosto de plantar amor, para colher um amor ainda maior. Gosto de querer elevar-me, evoluir, ir mais longe, não somente por mim, mas por todos. Gosto de querer levar comigo tantos quantos reconheçam o chamamento, tal como eu, feliz e adoravelmente pude sentir.

O amor e a felicidade de todas as pequenas coisas

Anseio chegar a amanhã na minha melhor versão e, por conseguinte, todos os dias – sucessivamente. Almejo ir onde o meu coração me queira levar, sem medos. Estes, mais não são que bloqueios à nossa criança interior. Ao nosso sentido. De nada nos serve camuflá-los ou inibi-los se não pudermos transpor os seus muros e fazer deles tão irrelevantes quanto devem, na prática, representar-se na nossa vivência. Quero integrar as questões menos positivas, os receios, as inseguranças, não na minha forma de sentir, mas na minha capacidade de aceitar. Fazer deles alavancas dos mais simples ou mais heróicos feitos vitais da minha pessoa.

Hoje pude experienciar (e mais uma vez agradeço) o amor e felicidade de todas as pequenas coisas. Da harmonia que nos leva mais longe, mais fundo, mais dentro de nós mesmos. Das ondas do mar que correm atrás da areia, do Sol que se levanta e surge por baixo das nuvens, das músicas que são como bandas sonoras dos estados de espírito que nos assolam. Das amizades que são de sempre e para sempre. Das imperfeições que mais não são do que características deliciosas que, no fundo, sabemos amar nos outros (e em nós mesmos).

Hoje, mais que sempre, senti que não somos se não obras-primas de um artista a que chamaremos Universo e de uma realidade que, sendo necessariamente singular, nos diferencia dos demais. Somos também discípulos de um mestre que nem sempre ouvimos, nem queremos sentir, ou tentamos não entender – o nosso próprio coração.

Que possa sempre ser causa e efeito do meu amor.

 

Por Andreia Dias

Coach

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