«Ganhar é algo mais que a ‘mecânica’ do treino, ganhar é também percorrer um caminho de fé e ir para além do visível»

(Luís Sénica)  

Este pequeno artigo surge de ter percebido e observado, como coach desportiva, as diferenças entre quem tem esta variável da espiritualidade desenvolvida e de quem não a tem, e como isso poderia influenciar, de forma mais sustentável, a superação e a conquista de alcançar mais sucesso. A minha pretensão é estimular reflexões no mundo do Desporto sobre este tema da espiritualidade. A partir daí, cabe a cada um de nós motivar mudanças e alterar crenças em relação ao tema, de forma a podermos ser livres e autónomos de escolher o melhor para cada um.

O comportamento humano tem, devido às várias alterações na sociedade, se alicerçando no pilar da razão, o que me levou a perceber que no mundo do Desporto e na nossa sociedade, desde muito cedo, se investe no desenvolvimento da razão, com técnicas, táticas, e competição, esquecendo-nos que o ser humano existe como um processo integrado de vários níveis como: emocional/psicológico; físico; energético, mental, relacional/social e espiritual.

Ser espiritual: um estado de crescimento e evolução

Na realidade, ser espiritual não é um estatuto que nós adquirimos. É, sim, um estado de crescimento e evolução. Espirituais somos todos, mas continuamos a viver no mundo físico e escravos da matéria. É, desta forma, que deixamos de perceber a nossa verdadeira missão com nós próprios e com os outros. Durante o mês de abril apercebi-me como o Luis Sénica, o nosso selecionador de hóquei em patins, usava esta variável a favor dos outros e, sobretudo, como missão. Foi em época de estágio da seleção que realizou um evento de solidariedade e um jogo amigável com a equipa de hóquei de Sesimbra a favor da campanha Lourenço Meu Anjo. A humildade, além de ser um dos seus valores, faz parte do verdadeiro sentido de um treinador que tem a sua espiritualidade desenvolvida.

Apesar de me ter deparado com várias situações de atletas e treinadores que, de alguma maneira, procuram lidar com esta variável da espiritualidade, as suas crenças e ceticismo rapidamente os tirava desse caminho, preferindo-se focar nas técnicas e nas táticas do treino e da alta performance.

Comecei, então, por comentar com o Luis Sénica que observava que no Desporto este tema era pouco abordado e que alguns dos meus clientes que, tal como ele, sabiam e tinham consciência da sua espiritualidade, mas colocavam-se ao serviço do outro e das suas equipas numa missão incondicional, mesmo sem terem noção que estavam a tomar contacto com a sua espiritualidade, e com o seu ‘EU’ interior e era estes atletas e treinadores que se detetavam diferenças e que eu queria explorar.

Na realidade, os meus atletas e treinadores que queriam evoluir o seu lado espiritual, transcendiam-se e esta variável era nitidamente importante para alcançar sucesso e os preparava perante as contrariedades e obstáculos em que era necessário ter fé e capacidade de luta para os seus momentos e adversidades no mundo do Desporto.

O desenvolvimento pessoal, o coaching e o autoconhecimento

O desenvolvimento pessoal, o coaching e o autoconhecimento, ao trabalhar o atleta e treinador como um todo, não pode deixar de perceber o que a sociedade foi descurando, o que existe para lá do visível e testável, e do que é físico, sobretudo daquilo que podemos transcender, conseguindo grandes momentos de flow e sucesso no mundo do Desporto. Foi das nossas reflexões que nasceu a nossa parceria que se transformou numa tertúlia com o tema: ‘A influência da espiritualidade no Desporto’. A nossa missão não é exigir aos outros que sejam seres espirituais. A nossa missão é, na realidade, levar esta tertúlia, de uma forma descontraída, pelo país, proporcionando momentos de partilha a todos os atletas, treinadores, famílias  e amantes do Desporto que desejam perceber este tema da espiritualidade, a sua importância e quais os hábitos e comportamentos de quem tem esta variável desenvolvida adota e a forma como é encarada no meio desportivo.

A tertúlia em Azeitão foi um espaço de energias múltiplas e, na prática, um teste de aproximação a estas realidades do desporto!

Tivemos uma sala diferenciada, não na condição humana, mas na profundidade e na expetativa do tema.

Sentimos convicções, sentimos expetativa, sentimos dúvida, sentimos cumprimento apenas do dever de ser treinador (créditos para a cédula de treinador) e sentimos evolução.

Acredito que a energia da mensagem modificou em todos nós pensamentos e reflexões, creio, tenho a convicção que nas 5 horas que estivemos juntos, promovemos, no mínimo, um ‘estado de alma’ positivo e gerador de pensamentos ecológicos.

Faz sentido, ou não, falar em Espiritualidade no Desporto?

Faz todo o sentido!

Não existem milagres, é simplesmente ter a coragem de abrir a porta da nossa voz interna e recursos interiores e colocarmos uma intenção ou missão como um ato ou ‘setique’ de fé…

 

Por Catarina Cardoso (Coach Desportiva)

Luís Sénica (Treinador de Hóquei em Patins)

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