Filipa Veiga nasceu em Aveiro e, com 4 anos, foi viver para Macau com a família. Este facto mudaria a sua vida para sempre e a definiria como uma pessoa sem barreiras culturais e com uma incessante vontade de viajar. Por isso, a Filipa é um encontro de culturas personificado na sua atividade jornalística (SIC, Máxima, entre outras) e literária (Yoga-me, Editorial Nascente, 2016) e não cessa de explorar manifestações culturais do mundo global.

Filipa Veiga é uma third culture kid. Ou seja, alguém que cresceu numa cultura diferente da dos seus pais durante uma parte significante da sua vida. Aos 18 anos voltou a Portugal para estudar Direito, na Universidade de Lisboa. O sonho era o Jornalismo, o que se tornou uma realidade quando, aos 24 anos, entrou na SIC para estagiar e aí fez carreira profissional durante 12 anos, como repórter e jornalista em diversos programas como Cartaz, Páginas Soltas, Sociedade das Belas Artes, Perdidos e Achados, entre outros.

Praticante de Ashtanga Yoga desde 2004, a prática deu-lhe a volta à vida, já depois de ser mãe de duas meninas e, em 2012, rumou com a família de regresso à Ásia, desta vez, para Bali. Viver num sítio onde as práticas espirituais comandam o dia a dia fez Filipa voltar à essência da sua infância e transformar de novo o caminho.

Em Ubud, a meca do yoga no mundo, criou-se o espaço para aulas de yoga nos mais reconhecidos centros de yoga, como Radiantly Alive e Taksu. Também participou em diversos retreats na Ilha dos Deuses e participou em festivais de yoga internacionais, como o Bali Spirit Festival. 

São estas as inspiradoras habilitações que trouxe para Portugal, onde deseja partilhar as suas experiências e ensinamentos. Autora do blogue Yoga-me, tem inspirado muitas pessoas a mudar o estilo de vida e a fazer mudanças na vida que tanto desejamos. O blogue deu origem, em 2016, ao livro com mesmo nome, Yoga-me, publicado para Editora 20|20 numa chancela Nascente.

A Filipa é conhecida pelas suas aulas dinâmicas e transformadoras em que leva os alunos a perceberem o grande objetivo da prática do yoga – a abertura do coração. Neste momento, vive em Cascais, onde dá aulas de yoga e continua a visitar a Ásia sempre que pode, facilitando retiros e ganhando inspiração para continuar a explorar a vida.

 

Foi convidada a participar no Wanderlust, um dos maiores eventos de yoga e lifestyle do mundo e que chega a Lisboa no próximo dia 8 de outubro. Fale-nos da sua participação…

Vou dar uma aula no palco principal e espero que esteja cheia de pessoas de todos os cantos do país, idades, géneros… é uma aula para todos experimentarem e saborearem estas práticas. Não é preciso nada, basta boa disposição e entrega! Vai ser divertido e uma experiência que pode mesmo mudar a vida de algumas pessoas… Além disso, vou também falar sobre a minha viagem até ao yoga, do meu livro e dar algumas dicas de alimentação, ayurveda, kombucha, tudo informação preciosa para complementar a prática de posturas, de asanas.

«Estou muito feliz e orgulhosa de representar Portugal e sinto-me muito abençoada»

Como foi receber este convite?

Foi mais do que um sonho tornado realidade. Eu sigo o Wanderlust há anos e sempre disse que um dia ia lá estar. Mas, ser aqui, em Portugal, e ainda por cima sendo embaixadora, é maravilhoso! Digamos que é o yoga a funcionar, o Universo a comandar! Estou muito feliz e orgulhosa de representar Portugal e sinto-me muito abençoada.

O yoga é uma prática que tem cada vez mais adeptos. Para quem desconhece ou nunca experimentou, que mensagem quer transmitir?

Que venham experimentar! Esse é o mais importante. Temos de sentir para entender e só nós sabemos o que sentimos. Já se construíram demasiadas ideais sobre o que é o yoga quando, na verdade, é uma prática que é empírica, ou seja, só se percebe quando se pratica. Não é preciso ser-se flexível ou jovem. O yoga é para todos! “Só não é para preguiçosos!», como diz o meu professor.

«O yoga é uma viagem, como a vida»

Tem alguma dica em especial para melhorar a prática?

Praticar. Com devoção, dedicação, disciplina e determinação. O yoga é uma viagem, como a vida. Patthabi JOis, um dos grandes gurus do nosso tempo, costumava dizer que: “Yoga is 99% practice, 1% theory” (“Yoga é 99% prática, 1% teoria”). Naturalmente, com o tempo, a transformação vai ganhando terreno e tornamo-nos mais sensíveis e resilientes com o que queremos. Mas, tudo isso faz parte do processo e cada um de nós tem um diferente.

Como é o seu dia a dia, a sua rotina?

Acordo às 5h30, tomo duche, bebo água com limão e medito. Acordo as minhas filhas às 6h30 e levo-as ao autocarro da escola. A seguir, pratico yoga, durante 1h30/2h ou, então, dou as minhas aulas. Tomo um pequeno-almoço bem rico (sumo verde, chia seed porridge, frutas), pelas 11 horas e, à tarde, dou mais uma aula de yoga, vou passear com as minhas filhas ou levá-las a alguma atividade. Jantamos muito cedo, 18h30/19h no máximo. Pelas 20h30, as minhas filhas já estão a dormir e eu deito-me pelas 22h.

De que forma é que o yoga pode tornar as pessoas mais felizes?

O yoga acalma a mente e este é o grande objetivo da prática. O yoga é a cessação das flutuações da mente. Através do yoga alcançamos paz e amor interior, a base para uma felicidade. A sociedade e a família dizem-nos que temos de ser doutores, engenheiros, médicos, trabalhar muito para ganhar dinheiro e ser feliz. Então, porque não somos? Temos tudo, mas falta-nos a conexão com o nosso lado espiritual que existe em cada um de nós. Só quando ouvimos o nosso coração e agimos em consonância com o nosso verdadeiro ser, então, entendemos onde queremos ir e deixamo-nos levar por esta viagem, esta exploração… A vida é mais do que pagar contas, não acha?

«O yoga é o meu seguro de vida»

O que representa o yoga na sua vida?

A ferramenta para o meu bem-estar físico, emocional e espiritual. Costumo dizer que é o meu seguro de vida. É a minha ferramenta para crescer a minha consciência. O importante é que todos os dias nos conectemos com nós mesmos, que criemos tempo para nós, que respiremos, que cuidemos de nós. Podemos dar um passeio na Natureza, praticar yoga, respirar… O importante é que tenhamos consciência que cuidando bem de nós, cuidamos bem do planeta, alimentamo-nos de forma saudável e vivemos de forma sustentável. O planeta agradece, pois o que estamos a fazer é destruir o nosso próprio habitat.

 

Por Tânia Martins

Jornalista

Editora HealthAdvisor

Fotos: Francisco Evangelista

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